
por Landro KArnal
Essa é uma ideia tão problemática que, aparentemente, esses filósofos não foram mais felizes do que aqueles que tinham proposto uma ordem cósmica. Aliás, pergunta que me fizeram quando comuniquei a algumas pessoas próximas que eu iria gravar um livro sobre felicidade: “Mas você é feliz?”. Sempre dou a resposta de quando explico porque estudo as religiões: “Sou como um homem ginecologista; trabalho com o que não tenho”. Estudando o que não tenho, possuo certo afastamento em relação ao assunto. Portanto, não sei dizer se sou feliz, mas a pergunta já contém uma parte da resposta: só considero apto a falar sobre um tema aquele que não o encarna por completo. Contam os árabes, numa parábola muito bonita, que um xá da Pérsia, dotado de uma melancolia profunda, absolutamente depressiva, próximo à morte, pede a um médico a cura para seu problema. O médico sugere que ele vista como remédio a camisa de um homem feliz. Mas tem que ser um homem completamente feliz para curar a melancolia do xá.
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