
por Luiz Felipe Pondé
E mais, com o passar do tempo, tornei-me um preguiçoso. Da preguiça facilmente se passa à tristeza. Resisto como posso porque minha fisiologia ainda está do meu lado. Como dizia Jorge Luis Borges, prefiro escrever textos curtos, falta-me a paciência necessária para textos longos. Claro que existem razões filosóficas para essa opção. A primeira delas é a preguiça enquanto tal, um vício, um pecado, algo que se deve evitar – tema amplamente tratado pela filosofia. Segundo alguns sábios, a preguiça seria uma espécie de ceticismo da matéria, do corpo. Nestes ensaios e fragmentos, a preguiça me persegue: quero ser rápido assim como quem rouba, assim como quem conhece a si mesmo e sabe que desgraçadamente cansa rápido de tudo que faz e quer.
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