
por Rosa Montero
Leocadio — diz o vendedor, os olhinhos ardendo de ambição. — Certo, Benito, acredito em você, mas as coisas não podem ser feitas desse modo. — Proponho escrever à mão um pré-contrato de venda. Assinamos agora e amanhã formalizamos tudo no cartório — diz Benito. O proprietário cochicha no ouvido do tabelião: — Por favor, Leocadio… sr. Quem vai me comprar esse apartamento colado a esses trens de merda? Por favor. O tabelião escreve com vagaroso detalhismo um pré-acordo cheio de condições: sempre e quando o comprador demonstre ser o único e legítimo dono da soma transferida, sempre e quando não apareçam impedimentos legais, sempre e quando… O aspirante ao apartamento conecta-se ao banco pela internet, digita a quantia de quarenta e dois mil euros, valor pedido pelo vendedor, e faz a transferência. Depois os três caminham até o caixa automático situado na entrada da pequena estação, onde Benito comprova que, realmente, o dinheiro já entrou em sua conta.
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