
por Leticia Wierzchowski
Antônia contava, naquele ano de 1835, a sua quadragésima nona primavera, era apenas três anos mais velha do que seu irmão Bento e, como ele, tinha também aquela consistência firme de carnes, os mesmos olhos negros, espertos e doces, a mesma voz calculada, e idêntica capacidade de rejuvenescimento. Era uma mulher alta e magra, ainda de rosto liso, cabelos negros sempre presos no mesmo coque de três grampos, vestia-se sempre em tons discretos, mas seus vestidos eram campeiros: nunca fora afeita das cidades, vivendo sempre em sua estância, com seus cavalos, seus pomares e seus pássaros, isso desde que ficara viúva do casamento com Joaquim Ferreira, moço a quem amara com todo o seu espírito, advogado, e que morrera numa carreira de cavalos, tendo caído da montaria e, com a espinha partida, vindo a falecer assim, na mesma hora. Antônia tinha então vinte e sete anos e nenhum filho, e assim continuara a sua vida inteirinha. De Pelotas, onde fora viver após o casamento, voltara para a Estância do Brejo e lá ficara gastando seus anos; dos filhos que não parira, quase não sentia qualquer falta: tinha para mais de doze sobrinhos e com isso se bastava muito bem. Enquanto a pequena charrete ven
Escolha o formato
Cancele quando quiser · R$ 0,00 hoje
📚 Você também pode gostar
A próxima porta (Um mistério psicológico de Chloe Fine – Livro 1)Blake Pierce Uma Dor Tão DoceDavid Nicholls Trono de penas e ossosShannon Mayer, Kelly St Clare O livro da vidaJiddu Krishnamurti Vigia-meTahereh Mafi