Uma mulher singular
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Uma mulher singular

por Vivian Gornick

Uma vez le­vei a maior bo­fe­ta­da do meu pai por es­- sa mes­ma ra­zão”. “A gen­te ti­- nha ido as­sis­tir a um jo­go de bo­la e um va­ga­bun­do me pe­diu al­gu­- ma coi­sa pa­ra co­mer. Fui com­prar um ca­cho­rro-quen­te e dei pa­ra ele. ‘Se vo­cê quer fa­zer uma coi­sa des­se ti­po, faça di­rei­to', dis­se ele. Não se com­pra um ca­cho­rroquen­te pa­ra al­guém sem com­prar tam­bém um re­fri­ge­ran­te!” Em 1938, pou­cos me­ses an­tes de mo­rrer, Tho­mas Wol­fe es­cre­veu a Ma­xwe­ll Pe­rkins: “Ti­ve uma ‘ins­pi­ração' e fi­quei com von­ta­de de lhe es­cre­ver pa­ra con­tar… Sem­pre vou pen­sar em vo­cê e me sen­tir em re­lação a vo­cê co­mo na­que­le 4 de Julho, há três anos, quan­do vo­cê foi me en­con­trar no na­vio e nós dois fo­mos até o ca­fé per­to do rio e to­ma­mos um ape­ri­ti­vo e de­pois fo­mos até o to­po do edi­fí­- cio al­to e to­da a es­tranhe­za e a gló­ria e a po­tên­cia da vi­da e da ci­da­- de fi­ca­ram abaixo de nós”. A ci­da­de, cla­ro, era No­va Yo­rk — a ci­da­de de Whit­man e Cra­ne —, o con­tex­to le­gen­dá­rio do mi­to de criação do jo­vem gê­nio que che­ga à ca­pi­tal do mun­do, co­mo num qua­dro se­cu­lar de anun­- ciação, com a ci­da­de à es­pe­ra de­

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