
por Jay Redfield Jamison
Prólogo Quando são duas da manhã e se está maníaco, mesmo o centro médico da UCLA tem um certo atrativo. O hospital — geralmente um aglomerado frio de prédios desinteressantes — tornou-se para mim, naquela madrugada de outono há quase vinte anos, um foco do meu sistema nervoso perfeitamente sintonizado, em intenso estado de alerta. Com as vibrissas ardendo, as antenas empinadas, os olhos se adiantando velozes, facetados como os de uma mosca, eu absorvia tudo ao meu redor. Não simplesmente correndo, mas correndo com velocidade e fúria, como um relâmpago a atravessar, de um lado para o outro, o estacionamento do hospital, procurando gastar uma energia ilimitada, irrequieta, maníaca. Eu corria rápido, mas lentamente enlouquecia. O homem com quem eu estava, um colega da faculdade de medicina, havia parado de correr uma hora antes e estava exausto, dizia ele com impaciência. Isso para uma mente mais sã não teria sido surpresa: a distinção normal entre noite e dia há muito havia desaparecido para nós dois, e as intermináveis horas de scotch, brigas barulhentas e risadaria descontrolada mostravam seus danos óbvios, se não finais. Deveríamos estar dormindo ou trabalhando, redigindo não per
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