
por Nick Hornby
Então não venham me dizer que meu equilíbrio mental estava perturbado, porque não era assim que eu me sentia. (E, também, o que tem a ver esse troço de “equilíbrio mental”? É algo rigorosamente cientíƥco? A mente de fato se dobra de cima a baixo feito escama de peixe conforme a viagem que acontece na cabeça do sujeito?) Querer me matar era a reação adequada e razoável pra toda uma série de eventos desafortunados que tinha tornado minha vida insuportável. Ah, pois é, sei que os psicólogos vão dizer que podiam ter ajudado, mas é aí que nasce a metade dos problemas deste país, certo? Ninguém quer encarar suas responsabilidades. Pois sou um desses raros indivíduos que acreditam que o que rolou entre minha mãe e meu pai não tem nada a ver com eu ter trepado com uma menina de quinze anos. Acho, aliás, que teria ido pra cama com ela independentemente de ter sido amamentado no peito ou não, e já era tempo de encarar as consequências do que eu tinha feito. Não que, sabem, eu tivesse transformado minha vida em fezes que acumulei no intestino, e assim por diante. Mas sentia como se tivesse cagado minha vida, do mesmo jeito que é possível cagar com dinheiro. Eu antes tive uma vida, repleta de
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