
por Peter Mayle
Felizmente, o bom humor e a simpatia dos nossos vizinhos eram evidentes, mesmo que o que dissessem fosse um mistério. Henriette era uma morena baixinha e bonita, com um sorriso permanente e o entusiasmo de uma velocista para chegar ao fim de cada frase em tempo recorde. Seu marido, Faustin – ou Faustang, como durante muitas semanas achamos que se escrevia seu nome –, era grande e gentil, sem pressa em seus movimentos e relativamente vagaroso com as palavras. Tinha nascido no vale, passado a vida inteira no vale e no vale morreria. O pai dele, Pépé André, que morava ao seu lado, havia matado seu último javali aos 80 anos, e desistira de caçar para se dedicar à bicicleta. Duas vezes por semana, ele pedalava até o povoado para comprar mantimentos e ouvir as últimas fofocas. Eles tinham, porém, uma preocupação conosco, não só como vizinhos mas como parceiros em potencial; e através da névoa resultante do fumo de rolo e do marc, além do nevoeiro ainda mais denso do sotaque, acabamos chegando ao cerne da questão. A maior parte dos 2,5 hectares de terra que compramos com a casa possuía videiras, que havia anos eram cuidadas de acordo com o tradicional sistema de métayage: o proprietário d
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