
por Leopoldo Venuto
Não quero que minha filha ria ao ver as fotos. Eu levanto a saia, me encolhendo nas meias brancas e nos saltos de cetim horríveis, e então eu giro, observando a parte de trás do meu vestido e a amarração desconfortável do espartilho que deveriam ser botões ao invés disso. Deus, eu deveria ter tomado aquele Valium. Por que diabos eu quero fazê-la feliz quando ela quer ferir meus sentimentos assim? Mas eu sei por quê. De pé e ereta, eu encaro os espelhos novamente, mas então uma porta se fecha em algum lugar da loja, e eu congelo. Não era a porta da frente, pois ela tem uma campainha. Era a porta dos fundos – pesada e grossa – o clique da trava tão alto que posso ouvir daqui. Meu coração bate mais rápido e, em um momento, seus olhos nas minhas costas aquecem minha pele.
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