
por Emily Brontë
Seria preferível o senhor deixar um estranho com uma ninhada de tigres! — Eles não se intrometem com as pessoas que não tocam em coisa alguma — observou meu senhorio, pondo a garrafa diante de mim e consertando a mesa atrapalhada. — Os cães têm o direito de se mostrar vigilantes. — Não foi mordido, foi? — Se tivesse sido, teria deixado minha marca no mordedor. A êsionomia de Heathcliff relaxou-se num sorriso. As visitas são tão raras nesta casa que eu e meus cães, tenho de confessar, não estamos acostumados a recebê-las. À sua saúde! Fiz uma mesura, retribuindo o brinde; começava a perceber que seria tolice êcar de cara torcida por causa da incontinência de um bando de cães. Além do mais, não me sentia disposto a deixar o outro divertir-se à minha custa; pois a verdade é que sua atitude tomara esse rumo. Heathcliff — provavelmente levado pela prudente consideração de que seria tolice ofender um bom inquilino — afastou-se um pouco da lacônica maneira de resmungar os pronomes e os verbos auxiliares, e passou a falar sobre um assunto que julgava ser de meu interesse: as vantagens e desvantagens de meu atual lugar de retiro.
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