
por Maurice Druon
Mas havia, no entanto, um menino a quem todos chamavam Tistu. Um dia, mal acabava de nascer e parecia um grande pão no bercinho de vime, fora levado à igreja para ser batizado. Um padrinho de chapéu preto e uma madrinha de mangas compridas declararam ao padre que ele se chamava João Batista. Nesse dia, como quase todos os bebês em idênticas circunstâncias, o coitadinho protestou, gritou, ficou vermelho de chorar. Mas as pessoas grandes, que não compreendem os protestos dos recém-nascidos e teimam em sustentar suas ideias pré-fabricadas, garantiram com a maior firmeza que o menino se chamava mesmo João Batista. Mas em seguida, mal a madrinha de mangas compridas e o padrinho de chapéu preto o recolocaram no berço, deu-se um fato curioso: as pessoas grandes já não conseguiam pronunciar o nome que lhe haviam dado, e puseram-se a chamá-lo de Tistu. Quantos meninos e meninas foram registrados no tabelião ou na igreja com os nomes de José, Maria ou Antônio, e só são chamados de Juca, Cotinha ou Tonico! Isso prova simplesmente que as ideias pré-fabricadas são ideias mal fabricadas, e que as pessoas grandes não sabem mesmo o nosso nome, como também não sabem, por mais que o pretendam, de on
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