
Do lado de fora, a noite está calma e iluminada pelo luar, e o vento sopra contra o vidro em um sussurro oscilante que faz a moldura de madeira ranger. A ponta dos meus dedos se move da cera até o parapeito da janela, sentindo o vento passar por entre as frestas. Quando eu era pequena, o vento cantarolava canções de ninar para mim. Eram sons alegres, sussurrados, agudos, que preenchiam o espaço ao meu redor de modo que, mesmo quando tudo parecia silencioso, na verdade, não era. Como se um novo acorde de música tivesse entrado na melodia, um mais triste e mais grave do que os outros. Nossa casa ca na fronteira norte da aldeia de Near, e, para além do vidro gasto, a charneca se desenrola como se saísse de uma bobina de tecido: colina atrás de colina coberta com relva, salpicada de pedras, com um ou dois rios no caminho. Parece não ter m, e é como se o mundo fosse pintado de preto e branco, nítido e imóvel. Algumas poucas árvores brotam da terra em meio às pedras e às ervas daninhas, porém mesmo com todo esse vento, tudo parece estranhamente estático.
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