
por Natasha Bowen
A água se move, me balançando suavemente quando o orixá dispara para a frente e pega o vaso. Olocum arranca a tampa e coloca a mão lá dentro, pegando um pedaço grande de tecido encerado e o desembrulhando lentamente. O interior esbranquiçado de um inhame cru aparece. O sorriso do orixá desaparece enquanto ele cobre o vegetal descascado e o coloca de novo dentro do vaso. — Outro lembrete daqueles que te idolatram — digo, a minha irritação fazendo os cantos do lábio inferior dele se curvarem. Sei o que ele está pensando: que nunca será capaz de saborear um iyan estando tão fundo no mar. Nunca será capaz de mergulhá-lo em egusi, afundar os pés na terra quente, bebericar vinho de palma entre uma mordida e outra. Ele encontra algo faltando em cada oferenda que trago.
Escolha o formato
Cancele quando quiser · R$ 0,00 hoje
📚 Você também pode gostar
Untamed Luna Mason PROTEGIDA PELA MÁFIAMOURA, LYSA Fundo do poço, o lugar mais visitado do mundo: notas de viagemCris Guerra A contadoraMcFadden, Freida A origem da idolatriaMauro Meister