
por Davi Lago & Marcelo Galuppo
SE HÁ ALGO UNIVERSALMENTE REPUDIADO É A INGRATIDÃO. Dificilmente alguém atribui a si mesmo a ingratidão, defeito moral que geralmente atribuímos aos outros. Não é comum se ouvir falar de alguém que, perguntado pelo gerente de Recursos Humanos durante uma entrevista de emprego sobre que defeito teria, tivesse respondido: “Sou ingrato”. Há um forte sentimento moral de reprovação dos atos de ingratidão e, consequentemente, de aprovação moral dos atos de gratidão. É fácil perceber que a cultura em geral condena a ingratidão. Nos escritos dos filósofos ocidentais e orientais, nos mitos gregos, no hinduísmo, no budismo, no judaísmo e no cristianismo, na história da Guerra de Troia, nas fábulas de Esopo, de La Fontaine e de Pérrault, dos irmãos Grimm, no Inferno, de Dante Alighieri, em Otelo, Macbeth e Júlio César, de William Shakespeare, O morro dos ventos uivantes, de Emily Brontë, no Dom Casmurro de Machado de Assis e no Grande sertão: veredas, de João Guimarães Rosa, a ingratidão é sempre avaliada como um vício de trágicas consequências. Tome o Bhagavad Gita, por exemplo, um clássico do hinduísmo e da filosofia oriental. Nele o arqueiro Arjuna está prestes a engajarse em uma batalha a
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