
por Edgar Allan Poe
Em tal assembleia de quimeras que retratei, era de supor que nenhuma aparência pudesse provocar tal sensação. Na verdade, a permissão para fantasias naquela noite era praticamente irrestrita; mas a figura em questão tinha surpreendido o mau gosto, ultrapassando até mesmo os limites da permissividade do príncipe. Existem acordes, no coração dos mais ousados, que não podem ser atingidos sem emoção. Mesmo para aqueles completamente perdidos, para quem vida e morte são gracejos, há questões das quais não se pode zombar. Todos os presentes, de fato, pareciam concordar que na fantasia e na atitude do estranho não havia graça nem decoro. A figura, alta e magra, estava envolta dos pés à cabeça em uma mortalha. A máscara que escondia o rosto era tão perfeita na imitação das feições de um cadáver que uma análise cuidadosa teria dificuldade para perceber a ilusão. Ainda assim, tudo isso poderia ter sido suportado, senão aprovado, pelos convivas ensandecidos.
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