
por C. S. Lewis
LEWIS Magdalen College, 5 de julho de 1941 Carta I Meu querido Vermelindo, Eu noto que você diz que está direcionando a leitura do seu paciente e se encarregando de fazer com que ele tenha encontros regulares com o tal amigo materialista. Mas será que você não está sendo um pouco ingênuo? Até parece que está achando que a argumentação seja o melhor modo de mantê-lo fora das garras do Inimigo. Até poderia ter sido esse o caso, há alguns séculos. Naquela época, as pessoas ainda sabiam muito bem quando algo tinha sido provado logicamente e quando não; e quando tinha sido provado, elas criam nisso de verdade. Elas ainda faziam associação entre o pensamento e a ação e estavam dispostas a mudar o seu estilo de vida em decorrência de ideias racionalmente encadeadas. Mas, graças à imprensa diária e outras armas desse tipo, conseguimos alterar amplamente essa situação. Seu homem está acostumado, desde pequeno, a manter uma dúzia de filosofias incompatíveis dançando em sua cabeça ao mesmo tempo. Ele não classifica as doutrinas essencialmente em “verdadeiras” ou “falsas”, mas como “acadêmicas” ou “práticas”; “ultrapassadas” ou “contemporâneas”; “convencionais” ou “opressoras”.
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