Arte e Psicanálise
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Arte e Psicanálise

por Tania Rivera

Alguns anos antes, Max Ernst já punha em prática um procedimento plástico similar ao da escrita automática, ao realizar em suas colagens uma associação de elementos díspares encontrados em manuais científicos ou livros escolares. Em um dia chuvoso, Ernst teria se deparado com um catálogo de manuais, em uma reunião de elementos de naturezas tão diversas que, segundo ele, o absurdo de seu agrupamento lhe teria perturbado a visão, desencadeando nele “alucinações e conferindo aos sujeitos representados uma sucessão de significados novos e mutantes”. Bastava então, para se ter uma obra, fixar tais elementos em algumas linhas, formando com alguma tinta um horizonte, um céu etc. Ou um quarto, como em O quarto de dormir de Max Ernst vale a pena passar aqui uma noite, de 1920, que junta nas linhas simples da perspectiva do cômodo um grande urso, um carneiro, uma pequena cama, uma mesa posta, um armário atravessado por um magro pinheiro, uma baleia, um morcego, uma serpente e um peixe. Em 1925, Ernst inventa a frottage, técnica que consiste em esfregar um lápis ou material semelhante sobre uma superfície com alguma textura, deixando surgirem arbitrariamente, no desenho assim formado, traços

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