
por Padre José Tissot
A purificação ordinária, tanto do corpo como do espírito, só se faz pouco a pouco, a custo e com vagar. A alma, que do pecado remonta a vida devota, se assemelha a alva do dia que, ao despontar, não expulsa as trevas dum jato, mas aos poucos, gradativamente. Diz o aforismo que a cura, feita devagar, sempre é mais segura. As doenças do coração, tanto como as do corpo, vêm a galope e em corrida de postilhão, mas vão-se a pé e a passo lento. É, pois, preciso ter paciência e não pensar em curar num só dia tantos hábitos maus, que contraímos pelo pouco cuidado com a nossa saúde espiritual. E o bom Santo concluía sempre que, “se a nossa fraqueza natural nos faz incorrer em muitas faltas, de modo algum nos elevemos admirar disso”. Francisco de Sales não concedia a ninguém, por mais adiantado que estivesse nas virtudes, o direito de se admirar de haver caído em pecado, dirigindo as mais fervorosas religiosas estes avisos: “A duas coisas é necessário que estejamos resolvidos: uma, a ver crescer ervas daninhas em nosso jardim; outra, ter coragem de deixar arrancá-las e de nós mesmos as arrancarmos; porque o nosso amor-próprio não há de morrer enquanto vivemos e é ele o autor destas importuna
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