
por Andrés Bruzzone
O debate pode ser acalorado e se fazer visível em ruas ocupadas por manifestantes, em greves e em discussões ou até mesmo brigas entre os representantes eleitos no congresso. Essa fricção permanente, que pode parecer ruído e confusão, é a sustentação que mantém vivas as sociedades democráticas. Onde não há debate, os conflitos foram sepultados por uma força maior: a opressão de uma classe, um modelo de controle político ou ambos os fatores combinados. Por isso, democracias saudáveis são barulhentas e dinâmicas, nunca silenciosas ou estáticas. Em democracia, o debate ocorre entre adversários, nunca entre inimigos. O inimigo não tem legitimidade, é aquele que deve ser aniquilado para que não me aniquile: a sua existência me ameaça, mas sobretudo ameaça o espaço comum e a possibilidade mesma de debater. Já entre adversários há um acordo de preservação daquilo que é compartilhado, do lugar em que o debate ocorre, e há um reconhecimento recíproco que é anterior às diferenças e que precisa ser mantido. O debate morre quando é substituído por uma lógica de inimigos que se opõem.
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